O TEMPO DO AMOR

Este mês recebi uma visita surpresa muito especial aqui em casa, da minha vozinha Rosa. Foi no dia que compartilhei um galeto que servi no Duralex marrom dos anos 80, herança da minha mãe com muitas histórias para contar. Mas hoje quero apenas contar um momento que vivi na cozinha naquele dia, que não durou mais de 30 segundos mas foi suficiente para transbordar meu coração. Minha vó quis me ajudar e foi picar o alho pra mim (eu havia começado e ela disse que estava grande demais). Bom, eu estava com as 4 bocas do fogão acesas numa agitação danada, normalmente fico sozinha e em silêncio na cozinha mas me sinto como uma banda de heavy metal, a bateria são as panelas e a baqueta é a colher de pau. Preciso colocar um pouco do meu caos pra fora, sempre com calma e amor mas fazendo mil coisas ao mesmo tempo (adoro metal, só pra constar. De preferência sinfônico.). De repente precisei do alho imediatamente e quando olhei para o lado vi minha vozinha, com toda a paciência do mundo, picando o segundo ou terceiro dente bem daquele jeitinho que nem podemos sonhar em fazer senão cortamos a mão. Era quase um Danúbio Azul de Strauss. Tive que desligar 3 chamas e passei a contemplar aquele momento que jamais sairia da minha cabeça. Me dei conta de que é preciso ter paciência, de que o amor precisa de um tempo para se manifestar e chegar às nossas mãos. Nem sempre é na correria que isto acontece, no mesmo ritmo, na mesma batida do coração. Às vezes é preciso respirar, sentir e só depois fazer, para que a emoção possa se instalar e florescer. É por isto que cozinhar é uma terapia, porque oferecemos o que somos e o que sentimos ao nosso alimento e depois oferecemos o alimento que preparamos às pessoas. Isto é um presente muito precioso, é como a música que alimenta, alegra e conforta a alma. É preciso repeitar a comida e quem a prepara, o tempo de quem a prepara, é preciso respeitar o tempo do amor.♥ 


Me representando:

E representando minha vozinha:

Amor é amor, é flor, seja como for.♥