SAUDADE NA PANDEMIA

Saudade de preparar uma carninha na brasa com os velhos na serra, né, minha filha? Estamos sem encontrar nossos pais e sogros desde março de 2020, e nos manteremos firmes no isolamento até todos estarem vacinados. Faço compras no mercado e no hortifruti online, e chego a ficar seis semanas sem colocar o pé no corredor do prédio. Mas por que este exagero, Claudia? Porque perdi pessoas queridas, porque pessoas que nunca vi perderam pessoas queridas, porque ainda tem muita gente morrendo, porque minhas cunhadas são enfermeiras, porque tenho parentes que trabalham na área de segurança, e porque tenho empatia e compaixão por todas estas pessoas. O isolamento está longe de ser difícil para mim e o Thiago; difícil é pensar que tem alguém morrendo por falta de oxigênio em Manaus, por falta de leito no Rio de Janeiro, por falta de qualquer coisa em todo o Brasil. Sigamos fortes, vai passar. E enquanto não passa, que a gente possa contemplar o nascer do sol, o céu, o carinho dos nossos bichinhos e o aconchego do nosso lar, tantas vezes desejado e distante de nós por causa do trabalho. Que a gente possa nos satisfazer com nossa vida e nossa saúde, tão preciosas e que precisam ter seus valores lembrados todos os dias. Força, saúde e paz para todos vocês!